
São muitas as dificuldades e os desafios que se põem a todos os que procuram fazer uma carreira no meio musical nacional.
As novas formas de distribuição e partilha de música através da internet, abriram novas possibilidades e novos horizontes a todos aqueles que criam, mas, simultaneamente provocaram uma enorme queda nas receitas das editoras discográficas, o que, num mercado tão reduzido como o português, significa uma cada vez menor capacidade de investimento e cada vez menos espaço para assumir os riscos inerentes ao lançamento de novas bandas. À dinâmica e extraordinária expansão que marcaram a década de noventa, em que a abertura a tudo o que era novo foi quase total, sucede-se o calculismo normal dos tempos de recessão.
Hoje, mais do que nunca, é decisivo que as bandas procurem ter uma personalidade forte. Mais do que tentar importar casos de sucesso do mercado internacional ou tentar ir à procura de identificar as tendências dominantes para as seguir imediatamente as bandas devem procurar ser, na medida do possível, originais, sem abdicarem de ser actuais. O trabalho de consolidação da escrita, da sonoridade e dos arranjos de forma a conseguir resultados que mostrem uma banda com identidade própria é hoje a arma mais eficaz para contrariar a cada vez mais feroz concorrência e, a cada vez mais evidente falta de oportunidades.
Por outro lado, um disco deve ser entendido como a consequência dum trabalho sólido e persistente, e não como um ponto de partida indispensável para quem quer começar. As bandas devem tocar muito ao vivo, fidelizar o maior número possível de público, dinamizar ao máximo os novos veículos de divulgação que a internet possibilita (por exemplo o myspace…) antes de chegarem ao disco. Muito mais importante do que ter um disco editado é ter uma multidão impaciente à espera que ele seja gravado…
Como reagiram a esta notícia?
Reagimos com alguma surpresa e orgulho por nos ser dada esta oportunidade de expor o nosso trabalho. Obrigado a todos os que votaram em nós!
O que podem trazer de novo à música portuguesa?
Não pretendemos ser pretensiosos, mas existem objectivos que ambiciona-mos para além de tornar visível o nosso projecto e dá-lo a conhecer. Quem pode trazer algo de novo à música em Portugal é o público, procurando novos caminhos e tendências. Dar resposta a todos aqueles que escutam com vontade de ouvir para além da música. E é aí que pretende-mos ir um pouco, para além da música.
Sentidos apurados numa viagem de ideias ,cores, expressões identidades. O projecto Lokomotive Station vive de uma performance de alianças artísticas.
Ir para além da música simplesmente...
Como reagiram a esta notícia?
Bem! Muito bem e com grande entusiasmo. Ver o nosso trabalho reconhecido desta forma, ainda por cima por entidades com tanto peso no panorama musical português, deixa-nos extremamente satisfeitos. Além de termos tido muitas datas, este início de ano tem sido bastante positivo também nesse sentido. Já tínhamos obtido óptimos resultados em outros eventos relacionados com descoberta de novos projectos, em que apostámos nos últimos meses, e esta fase não podia terminar melhor. Estamos realmente entusiasmados com a participação no SBSR, que naturalmente desejávamos, mas não esperávamos que fosse possível tão cedo.
O que podem trazer de novo à música portuguesa?
Trazer algo de novo à música portuguesa é um grande desafio porque neste momento há cá muitos projectos de enorme qualidade, embora talvez hajam menos pessoas a saber disso do que seria de desejar. Quanto a nós, desde o início assumimos um compromisso, uns para com os outros, de que The Profilers serviriam para fazermos exclusivamente aquilo que nos apetecesse em termos musicais, sem rótulos, pré conceitos ou amarras a estilos. Resolvemos também tratar as questões estéticas com algum carinho, porque entendemos que a imagem é um complemento importante da música. Assim, acabámos por misturar muito de cada um de nós no nosso trabalho, sempre sem obsessões e limitações criativas. Compomos em conjunto e livres de preconceitos. Não nos interessa se soa a este ou àquele estilo, desde que soe bem. E como é sempre feito por nós acabará sempre por soar a The Profilers. Entendemos que, numa altura em que está quase tudo inventado, ser autêntico e sincero no acto de criar é a única forma de ser original. E ser original é a única forma de podermos vir acrescentar alguma coisa ao panorama musical português.